Amamentar dói mesmo? Quando a dor é normal e quando é sinal de alerta.
É muito comum ouvirmos que “amamentar dói mesmo no começo”. Essa frase, repetida sem critério, faz muitas mães normalizarem dores que não deveriam fazer parte da amamentação.
Existe, sim, uma diferença clara entre a sensibilidade dos primeiros dias e uma dor persistente que indica que algo precisa ser ajustado.
Após acompanhar mais de 3.000 mães, percebi que um dos maiores erros no início do puerpério é normalizar o sofrimento extremo. A amamentação é uma jornada de aprendizado para a mãe e para o bebê, mas ela não precisa ser marcada por dor constante.
Sensibilidade ou lesão: como saber se a dor ao amamentar é normal
Nos primeiros dias, é comum sentir uma fisgada ou sensibilidade quando o bebê inicia a sucção. Essa sensação costuma diminuir ao longo da mamada e tende a melhorar conforme mãe e bebê se adaptam.
No entanto, a dor não deve persistir durante toda a mamada. Fissuras, sangramentos, sensação de queimação intensa ou desconforto prolongado são sinais de alerta. Na maioria dos casos, o corpo está avisando que a pega está rasa ou que o posicionamento não favorece o bebê.
Ignorar esses sinais pode levar a um ciclo de dor, insegurança e, muitas vezes, ao desmame precoce — algo que pode ser evitado com orientação correta.
Como a técnica correta evita dor ao amamentar
Não existe uma “receita de bolo” para amamentar. Cada dupla — mãe e bebê — tem sua própria anatomia, ritmo e necessidade. Por isso, mais importante do que decorar posições é aprender a observar.
Alguns sinais simples ajudam a identificar se a amamentação está adequada:
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O lábio do bebê está virado para fora?
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O queixo está encostado na mama?
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Você sente o esvaziamento da mama de forma confortável?
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A sucção é ritmada, sem dor intensa?
Esses detalhes fazem toda a diferença. Muitas vezes, um ajuste milimétrico transforma completamente a experiência.
Preparação e ajuste: o que faz diferença na prática
Para as gestantes, a melhor preparação não é física, mas informativa. Entender o que é a apojadura (descida do leite), conhecer posições de amamentação e saber diferenciar desconforto de dor evita desespero nos primeiros dias em casa.
Para quem já está no puerpério e sente dor, o ajuste costuma ser simples, mas precisa ser bem orientado. Amamentar não é força, não é insistência e não deveria ser um teste de resistência.
Quando a mãe entende o que observar e como ajustar, a amamentação deixa de ser um momento de tensão e passa a ser mais leve e funcional.
Encontre equilíbrio e segurança com o Método ABC do Puerpério
No Desafios do Puerpério, eu trato a amamentação com o realismo e o acolhimento que ela merece. No módulo do Método ABC, você aprende a identificar sinais de alerta, ajustar a técnica e compreender o comportamento do bebê — sem romantizar a dor e sem culpas.
Amamentar não precisa doer. Com informação, observação e técnica, é possível viver esse momento com mais segurança e confiança.
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